Foto: Bárbara Pedrosa, Setembro, 2006
26.5.08
25.5.08
Esconderijo XII
As noites agora são longas e desembaraçadas de constrangimentos, dotadas de uma liberdade que não sei gozar...nunca estive habituada a este modo tão livre de ser. Um jeito retorcido que não me deixa sonhar, bloqueia-me a alma e exacerba infindáveis pensamentos que se deitam quando o sol já espreita. Às vezes quase que dou por mim a cair mesmo deitada, confundo as pernas com a cabeça, fico partida e nem o meu pijama tão branco me traz mais luz.
Conservo-me nos meus olhos tristes, e tento fechar uma porta resistente com um puxador fora de moda que me aprisiona e vai metamorfoseando o meu coração. O coração que é só um músculo. Isto soa assim...
Confundo as recordações, e já não existem dias perfeitos, já não canto: Just a perfect day / I`m glad I spent it with you/ Oh, such a perfect day: you just keep me hanging on(…)*
És agora o artista das representações baratas, que suspende malabares mal equilibrados e que estão na iminência de caírem. O músico das canções tristes. O poeta de palavras intervaladas, de espaçamentos laaaaaaaaaaargos que fazem ecos de um silêncio aterrador. O pintor dos cenários negros. És a louca sensação de um engano, és um recado sem mensagem...
Conservo-me nos meus olhos tristes, e tento fechar uma porta resistente com um puxador fora de moda que me aprisiona e vai metamorfoseando o meu coração. O coração que é só um músculo. Isto soa assim...
Confundo as recordações, e já não existem dias perfeitos, já não canto: Just a perfect day / I`m glad I spent it with you/ Oh, such a perfect day: you just keep me hanging on(…)*
És agora o artista das representações baratas, que suspende malabares mal equilibrados e que estão na iminência de caírem. O músico das canções tristes. O poeta de palavras intervaladas, de espaçamentos laaaaaaaaaaargos que fazem ecos de um silêncio aterrador. O pintor dos cenários negros. És a louca sensação de um engano, és um recado sem mensagem...
* "Perfect Day", Lou Reed
Foto: your kiss wont make me by hollyjphotography
Bárbara
24.5.08
21.5.08
20.5.08
Esconderijo XI

Crio as minhas novas rotinas livre de belas ou tristes histórias segura somente pelas minhas mãos bloqueadas pela ansiedade do tempo. Oculto-me dos cafés cheios de pessoas que não conheço, das ruas que me viram crescer, e da maresia que me acorda todas as manhãs, e assim saúdo o silêncio do meu coração assustado. Afasto-te da minha lua de mel e olhas-me de alma partida que transcende as minhas lamentações vazias...fecho os olhos e encolho as pernas e recordo dias melhores sem promessas.
Bárbara
18.5.08
NOVA BÁRBARA ESCRAVA
Barborinha uma crioula.
Faz de bahiana evocada
Num hotel de vidro e avenca;
Usa torço cor-de-rosa,
Pano-da-costa fingido,
Chambre crivado no seio:
Seu balangandã preserva-a
Bem menos que seu enleio.
Para não ver os meus olhos
– Figa branca, figa preta-
Atira-as pra trás nas costas,
Tão bem, que só vê diante
A cuia do vatapá:
Mas eu sei quantas pancadas,
Vindo assim, seu peito dá.
Peixinho moreno, pula
No aquário do hotel de luxo
Como gota de água ao céu:
Tem vergonha de ser mate,
O seu passo é como um véu.
Barborinha é uma crioula
(Mulatinha era demais):
As cores, à parte, são várias:
Unidinhas, são iguais.
Vem servir-me cor-de-rosa,
Parda me serve xinxim
(Pérfido, atraso o jantar Fitando-a entro e mim).
Mas o que serve em verdade
A Barborinha morena,
Na sua saia bahiana
Com roda de campainha,
Não é o envisco que comem
Os peixes do hotel de vidro,
Mas a sua graça apenas.
Tão quente (sendo ela fria)!
E as mãos! as mãos! – tão pequenas,
Tão pequenas, que eu diria
Que as fazem penas – e fogem
As aves que há na Bahia!
Vitorino Nemésio
A Poesia ao Domingo transforma o vazio do coração em recordações que transbordam em flores. :)
Bárbara
Faz de bahiana evocada
Num hotel de vidro e avenca;
Usa torço cor-de-rosa,
Pano-da-costa fingido,
Chambre crivado no seio:
Seu balangandã preserva-a
Bem menos que seu enleio.
Para não ver os meus olhos
– Figa branca, figa preta-
Atira-as pra trás nas costas,
Tão bem, que só vê diante
A cuia do vatapá:
Mas eu sei quantas pancadas,
Vindo assim, seu peito dá.
Peixinho moreno, pula
No aquário do hotel de luxo
Como gota de água ao céu:
Tem vergonha de ser mate,
O seu passo é como um véu.
Barborinha é uma crioula
(Mulatinha era demais):
As cores, à parte, são várias:
Unidinhas, são iguais.
Vem servir-me cor-de-rosa,
Parda me serve xinxim
(Pérfido, atraso o jantar Fitando-a entro e mim).
Mas o que serve em verdade
A Barborinha morena,
Na sua saia bahiana
Com roda de campainha,
Não é o envisco que comem
Os peixes do hotel de vidro,
Mas a sua graça apenas.
Tão quente (sendo ela fria)!
E as mãos! as mãos! – tão pequenas,
Tão pequenas, que eu diria
Que as fazem penas – e fogem
As aves que há na Bahia!
Vitorino Nemésio
A Poesia ao Domingo transforma o vazio do coração em recordações que transbordam em flores. :)
Bárbara
17.5.08
Fundação de Serralves
VINIL - GRAVAÇÕES E CAPAS DE DISCOS DE ARTISTA10 Mai - 13 Jul 2008 - MUSEU
"Com a expansão da expressão artística para o campo do som e do aspecto visual da gravação e das suas capas, a banal capa de disco tornou-se definitivamente um objecto de culto. Esta exposição apresenta gravações visuais e acústicas de artistas plásticos, registadas desde os anos 20 até ao presente. Também se exibe documentação de uma grande variedade de experiências sonoras e linguísticas, frequentemente no limite daquilo que se entende como música."
Comissário: Guy SchraenenExposição organizada pelo Research Centre for Artists' Publications / Neues Museum Weserburg Bremen, Germany e pelo Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha
in www.serralves.com
16.5.08
14.5.08
13.5.08
10.5.08
Velvet Painting

Come, come, come
We’re all on the run
No one sleeps at night
The phones all ring
The sirens sing
The stars seem extra bright
And the buildings all light up like ornaments
In some black velvet painting over the bed
I want to grab you and tell you
Be happy we found someone to love
‘Cuz out here it never seems to be enough
Yeah, out here it never seems to be enough
No it never never never never never never is enough
Alina Simone
Foto: Alina Simone
4.5.08
3.5.08
Esconderijo XI
Madame Tutli-Putli
Espreitem esta MARAVILHA! Apaixonei-me!
Madame Tutli-Putli, Chris Lavis e Maciek Szczerbowski, 2008
30.4.08
Jazz ao Centro/ V Edição- Encontros Interncionais de Jazz de Coimbra 2008
Após quatro edições no formato bianual o ano de 2008 acarreta significativas novidades na orgânica do “Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra”.
Doravante, o evento realizar-se-á em plena Primavera, concentrando-se a sua programação nas duas primeiras semanas de Junho. Visando o reforço da dinâmica da Alta e Baixa Coimbrãs, o “Jazz ao Cento” traz a animação para as ruas, com os quatro principais concertos a decorrer nas Escadas do Quebra Costas e as seis sessões “fora-de-horas” no seu “habitat natural”, o Salão Brazil. A ligação entre estes dois espaços procura envolver de forma o mais directa possível os que habitam e trabalham nestes locais e, ao mesmo tempo, captar a atenção de todos os Conimbricenses e de todos quantos visitam a cidade. Implantado bem no seio deste eixo, junto à Sé Velha, o Ateneu de Coimbra, colectividade fundada em 1940 e com uma assinalável actividade no sector cultural, será palco do concerto inaugural do “Jazz ao Centro”.
Em colaboração com a Universidade de Coimbra e o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) este festival abraça, em 2008, novos desafios, incluindo na sua programação um pequeno ciclo de cinema documental e uma palestra versando a temática da Arte, Ciência e tecnologia no contexto das músicas improvisadas. O TAGV acolhe ainda um concerto, bem como uma das seis exposições de fotografia e design gráfico previstas no programa. Animação de rua (com pequenas actuações, um espectáculo educativo e através de uma emissão radiofónica dedicada transmitida em circuito fechado para a Baixa da cidade) e o envolvimento dos lojistas (através de um percurso fotográfico nas diferentes montras) contribuirão, simultaneamente, para divulgar a iniciativa e aproximá-la dos cidadãos.
2 a 15 de Junho de 2008
Bela oportunidade para gozar Coimbra e matar saudades...;))))
22.4.08
16.4.08
10.4.08
9.4.08
Sebastião Salgado
28.3.08
Devaneios XVI
21.3.08
20.3.08
15.3.08
11.3.08
Avarias da Alma

Passeio pelos recantos que me acompanharam durante muito tempo e entrego-me às saudades que me avariam a alma. Não me conserto porque gosto delas.
Empresto-me às gargalhadas dos bons momentos e entrego-me sem hesitações à alegria que estas recordações me trazem.
Arrepio-me e gosto, não descanso e não me direcciono porque assim conservo a inconstância daquele que é, o meu mais louco espaço-vivido.
Bárbara
Foto: Bárbara, República dos Inkas, 2006
Porque as celebrações estão na alma e em mais lado nenhum...
Post publicado anteriormente em Outubro de 2006.
9.3.08
Compras que valem a pena

Desde, 1839, tecem-se, deste modo, laços estreitos entre Paris e a Fotografia. Um verdadeiro romance de amor liga-nos ao longo das décadas e permite-nos hoje em dia expor a dupla história de uma cidade prestigiosa e de uma arte nova que se distingue a descrever, segundo Goethe, " uma vida universal onde cada passo sobre uma ponte, sobre uma praça, relembra um grande passado onde em cada esquina da rua se desenrolou um fragmento da história.
Paris, Mon Amour, Taschen
5.3.08
COMO MATAR OS INOCENTOS
Semana sim semana sim, nas aulas de arte, Mr.B. obrigava-nos a desenhar letras dolorasamente nítidas. Tinha tudo a ver com seguir regras e manter a tinta entre linhas direitas. O mais exactozinho, melhor. Até aos 16 anos de idade, eu pensava que ser artista era ter sapatos a brilhar e vincos perfeitos nas calças. Nunca nos foi mostrada uma imagem minimamente surpreendente. Desenhar uma coisa nova, que ideia! Num período em que a performance e a arte conceptual excitava e irritava pessoas de Tokyo a Nova Iorque, um estagiário que nos ensinou a fazer impressões de batatas fez-nos pensar que estávamos envolvidos em actividades subversivas.
(...)
Mr.C ensinou-me tudo o que eu sei sobre a deslocação da àgua e a trajectória dos pêndulos. No entanto, sendo um fervoroso alpinista, passava a maior parte do tempo a demonstrar como se negociava a encosta norte do quadro. A sala de aula existia como paisagem do seu ego. Os que não suspiravam espanto pela sua arte, corriam o risco de serem punidos.
(...)
Com a idade de 14 anos aprendi que os estudantes de história eram fotocopiadoras humanas. Mr. H estacionava-se a si próprio em frente da turma e retirava de uma decrépita pasta algumas também decrépitas folhas de onde lia m u i t o d e v a g a r. O nosso trabalho enquanto alunos era anotar as suas palavras ipsis verbis. isto aconteceu duas vezes por semana durante dois anos. Nós anotávamos " a verdade, toda a verdade enada mais do que a verdade" sobre os grandes ditadores do século 20 tal qual como nos dita Mr. H., decorávamos e regurgitávamos e era-nos dito que éramos bons rapazes. Na peça de Shakespeare Henrique IV Parte Dois, o rei, no seu leito de morte, aconselha o seu herdeiro a " busy giddy minds/ With foreign quarrels" ( Ocupar as mentes curiosas/ Com discussões alheias). Podia ter sido este o mote de Mr. H..
John Havelda, "Reler"
3.3.08
28.2.08
O corpo das mulheres # 3
Concordo, é um tema quente. Mas só um? Olhem em volta, há uma grande variedade. O meu por exemplo.
Levanto-me de manhã. O meu tema está de rastos. Borrifo-o com água, escovo umas partes, esfrego outras com uma toalha, deito-lhe pó de talco, junto-lhe óleo. Meto o combustível e lá vai o meu tema, o meu tema tópico, o meu tema controverso, o meu tema abrangente, o meu tema coxo, o meu tema míope, o meu tema com dor de costas, o meu tema mal comportado, o meu tema ordinário, o meu tema escandaloso, o meu tema envelhecido, o meu tema que isso nem pensar e de qualquer modo ainda não sabe soletrar, enfiado num casacão grande de mais e numas botas de inverno já muito usadas, numa correria pelo passeio fora, como se fosse carne da minha carne, sangue do meu sangue, à caça do que se não vê, um abacate, um autarca, um adjectivo, esfomeado como sempre.
Margaret Atwood, O corpo das mulheres.
Persepolis
18.2.08
14.2.08
Valentine´s Day
Sweet, comic valentine...
make me smile with my heart
Your looks are laughable, unphotographableyet
your my favorite work of art
Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak,
are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine
Stay
Each day is valentine's day.
Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak,
Are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine
Stay
Each day is Valentine's Day
Frank Sinatra
12.2.08
11.2.08
Mesa de Cabeceira VIII
O meu pai nunca me deixou entrar aqui. Devia sentar-se na cadeira de baloiço e olhar do postigo o jardim lá em baixo, o portão, a rua, eu pequena a brincar às fadas com a minha irmã no rebordo do lago. Aos domingos abria a gaveta da cómoda, remexia papéis até escutarmos o tilintar da argola, subia as escadas do sótão a procurar a chave no meio das outras chaves(tal como hoje, agora que ninguém me proíbe, abri a gaveta, remexi papéis até escutar o tilintar da argola e subi as escadas a procurar a chave no meio das outras chaves)
não entres tão depressa nessa noite escura, António Lobo Antunes
10.2.08
30.1.08
Manhã
Hoje acordei com flores do campo no colo que emanam sínteses incompletas daquilo que sou. Nem eu, as Margaridas e as Hortênsias, nem as copas das árvores desnudas que espreitam curiosas, despertas pelo cheiro do café matinal, me conhecem tão bem.
Tu conheces-me, desarmas-me em acanhamentos que trespassam as vergonhas de uma criança. Corro pelo teu destino como se rebolasse em vales apinhados de cores e águas que perdem o seu tino.
Tu conheces-me, desarmas-me em acanhamentos que trespassam as vergonhas de uma criança. Corro pelo teu destino como se rebolasse em vales apinhados de cores e águas que perdem o seu tino.
Fico quieta e deixo-me encantar pela sonância da natureza. Fecho os olhos, aperto-os mesmo contra o coração, e trago-te comigo num quotidiano inventado por mim.
Bárbara
29.1.08
23.1.08
Bárbara
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor, vem me buscar
O meu destino é caminhar assim
Desesperada e nua
Sabendo que no fim da noite serei tua
Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva
Acumulando de prazeres teu leito de viúva
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, como uma hemorragia
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Bárbara
O meu nome na voz de Chico Buarque. :))))
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor, vem me buscar
O meu destino é caminhar assim
Desesperada e nua
Sabendo que no fim da noite serei tua
Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva
Acumulando de prazeres teu leito de viúva
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, como uma hemorragia
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Bárbara
O meu nome na voz de Chico Buarque. :))))
22.1.08
19.1.08
My Blueberry Nights/ Wong Kar Wai
Falta menos de um mês para conseguirmos assistir a mais uma obra do MESTRE...as expectativas são grandes.17.1.08
Fine Romance

A fine romance, with no kisses
A fine romance, my friend this is
We should be like a couple of hot tomatoes
But you're as cold as yesterday's mashed potatoes
A fine romance, you won't nestle
A fine romance, you won't wrestle
I might as well play bridge
With my old maid aunt
I haven't got a chance
This is a fine romance
A fine romance, my good fellow
You take romance, I'll take jello
You're calmer than the seals
In the Arctic Ocean
At least they flap their fins
To express emotion
A fine romance with no quarrels
With no insults and all morals
I've never mussed the crease
In your blue serge pants
I never get the chance
This is a fine romance
Billie Holiday
Na companhia desta senhora, entretenho-me a pintar os lábios de vermelho.
na minha mala
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino. Hoje pedem-me beijos redentores e de amor absoluto que não te posso dar, desafio a chuva que me ajuda acreditar na fotografia dos teus olhos, e assim, não fecho o sol. Ando gentilmente de mãos dadas com o meu coração, agora mais frágil, pede-me para não desistir da ternura dos teus lábios. Na quimera do teu nome, desprezo o futuro, tal como me pedes, e sossego na tranquilidade do meu ombro cheio de paz.
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino.
Hoje, afrontam-me histórias que calo, não te posso contar, voo com a minha gabardina molhada e encanto-me com os contos que não se abrem dentro de ti, e mergulho entre alguns sorrisos tristes. Ando gentilmente de mãos dadas com o meu coração, agora mais frágil, pede-me para não desistir da ternura dos teus lábios. Na magia do meu jazz, encanto-me com a estranheza de um amor que não entendo, concilio-me com a vida, e bebo o trago de dias mais profundos, vermelhos e de aroma mais agradável como o meu vinho.
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino.
Hoje, convidam-te para dançares, não me deixas guiar-te, e lá me vou equilibrando sozinha, não tão bem como uma trapezista de circo, aprendi alguns passos, mas sou sempre muito distraída com as lições. Ando gentilmente de mãos dadas com o meu coração, agora mais frágil, pede-me para não desistir da ternura dos teus lábios. No desencontro dos nossos tempos, morres-me todos os dias um bocadinho, tento salvar essa morte com confianças que tingiram o meu livro tão branco. O branco é a minha cor preferida, sabias?
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino.
Hoje, ausculto-me dentro da minha alma e do meu corpo, e vou pensando na fortuna do amor inteiro que tarda em chegar…
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino.
Hoje, afrontam-me histórias que calo, não te posso contar, voo com a minha gabardina molhada e encanto-me com os contos que não se abrem dentro de ti, e mergulho entre alguns sorrisos tristes. Ando gentilmente de mãos dadas com o meu coração, agora mais frágil, pede-me para não desistir da ternura dos teus lábios. Na magia do meu jazz, encanto-me com a estranheza de um amor que não entendo, concilio-me com a vida, e bebo o trago de dias mais profundos, vermelhos e de aroma mais agradável como o meu vinho.
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino.
Hoje, convidam-te para dançares, não me deixas guiar-te, e lá me vou equilibrando sozinha, não tão bem como uma trapezista de circo, aprendi alguns passos, mas sou sempre muito distraída com as lições. Ando gentilmente de mãos dadas com o meu coração, agora mais frágil, pede-me para não desistir da ternura dos teus lábios. No desencontro dos nossos tempos, morres-me todos os dias um bocadinho, tento salvar essa morte com confianças que tingiram o meu livro tão branco. O branco é a minha cor preferida, sabias?
Ouço os resguardos da intimidade da minha mala magnetizada pelo meu destino.
Hoje, ausculto-me dentro da minha alma e do meu corpo, e vou pensando na fortuna do amor inteiro que tarda em chegar…
Bárbara
10.1.08
9.1.08
8.1.08
A matéria das palavras
Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.
O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.
Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.
Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.
Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.
Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma
perfeição
especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.
Ana Hatherly
O Pavão Negro
É a hora do infinito desacerto-acerto.
O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.
Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.
Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.
Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.
Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma
perfeição
especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.
Ana Hatherly
O Pavão Negro
5.1.08
Esconderijo IX
Adianto-me tantas vezes no mundo carregada de sonhos e de medos. Tremo muito na companhia dos meus joelhos! O laconismo dos passos comovem-me atipicamente, fazem-me esbarrar.
Tropeço nos desapontamentos, nas notas de rodapé que estilhaçam aquilo que sou...nesses momentos sinto que morro e volto a nascer de novo, mais equilibrada nos meus saltos sempre tão baixinhos, mas tão pouco estáveis.
Tenho caminhado sempre muito cheia de ecos, dos tempos que foram e daqueles que chegam. Construindo as protagonistas da minha história, cheias de cores e de luzes, andam comigo nas ruas e fogem dos mesmos labirintos que eu, querem-se sempre fazer melhores, as minhas heroínas chamam-se emoções.
Tropeço nos desapontamentos, nas notas de rodapé que estilhaçam aquilo que sou...nesses momentos sinto que morro e volto a nascer de novo, mais equilibrada nos meus saltos sempre tão baixinhos, mas tão pouco estáveis.
Tenho caminhado sempre muito cheia de ecos, dos tempos que foram e daqueles que chegam. Construindo as protagonistas da minha história, cheias de cores e de luzes, andam comigo nas ruas e fogem dos mesmos labirintos que eu, querem-se sempre fazer melhores, as minhas heroínas chamam-se emoções.
Bárbara
3.1.08
Devaneios XI
Eu tenho um amigo que nunca se esquece de mim e que gosta de dançar no mundo sentado numa ilha no meio do Atlântico.
Gosto de abraçar as tuas recordações na doçura da tua Amizade.
Bárbara
Gosto de abraçar as tuas recordações na doçura da tua Amizade.
Bárbara
25.12.07
Merry Christmas to you...

Chestnuts roasting on an open fire,
Jack Frost nipping at your nose,
Yuletide carols being sung by a choir,
And folks dressed up like Eskimos.
Everybody knows a turkey and some mistletoe,
Help to make the season bright,
Tiny tots with their eyes all a-glow,
Will find it hard to sleep tonight.
They know that Santa's on his way
He's loaded lots of toys and goodies on his sleigh,
And ev'ry mother's child is gonna spy,
To see if reindeer really know how to fly.
And so I'm offering this simple phrase,
To kids from one to ninety-two,
Although it's been said
Many times,
Many ways
Merry Christmas to you.
[musical interlude]
And so I'm offering this simple phrase,
To kids from one to ninety-two,
Although it's been said
Many times,
Many ways
Merry Christmas to you.
Christmas Song, Nat King Cole
Foto: Robert Doisnaeu
No Natal voltamos a ser crianças...
19.12.07
14.12.07
11.12.07
Ambiências

os meus pés tímidos andam sozinhos na companhia do sol/ sufocam-se de ternura com as novidades do vento/ espreitam os trilhos invernais/ bóiam nas poças de água transparentes/ movem-se com o meu nariz aprumado/ os meus olhos vivem dentro de uma canção de amor/ saem de casa atrevidos/ beliscam-se com os sorrisos abertos das pessoas/ guardam à pressa fotografias nos paladares da memória/ bebem chá de Lúcia-lima com Chet Baker/ diluem-se na magia da vida…
Fotografia: Chet Baker de mãos dadas comigo...
Bárbara
5.12.07
Au revoir Simone
BackyardsBaby tell me please
Is this a dream
Spending the night with you
Beneath the cherrie trees
Just make a wish and every thing comes true
Out the windows of my bedroom
Through the backyards of our neighbors
But i didnt leave you waiting
There was endless concentration
Then the moon swept down to greet us
It was warm and made of flowers
Into vines that barely reached us
Climbing higher than forever
Baby tell me please in knowing this cause showing never tells
Was it just s breeze, was it a kiss
Breathless ecquisite chills
Beijo a chuva que se intromete nos meus dias de Primavera e embrulho-me na música que me protege...
Bárbara
3.12.07
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