12.6.07

na blogosfera / Café con libros

Na ilha em forma de cão sentado toma-se café com os melhores livros.
Bárbara

10.6.07

Anjos mulheres

As mulheres voam
como os anjos:
Com as suas asas feitas
de cristal de rocha da memória

Disponíveis
para voar

soltas...

Primeiro lentamente:
uma por uma

Depois,
iguais aos passaros

fundas...

Nadando,
juntas

Secreta:
a rasar o chão

a rasar
a fenda da lua

no menstruo:
por entre a fenda das pernas

Às vezes é o aço
que se prende
na luz

A dobrarmos o espaço?

Bruxas:
pomos asas
em vassouras de vento

E voamos

Como as asas
lhe cresciam nas coxas

diziam dela:
que era um anjo do mar

Rondo alto,
postas em nudez de ombros
e pernas

perseguindo,

pelos espaços,
lunares da menstruação

e corpo desavindo

Não somos violencia
mas o voo

quando nadamos
de costas pelo vento

até à foz do tempo
no oceano denso
da nossa própria voz

Sabemos distinguir
a dormir
os anjos das rosas voadoras

pelo tacto?

Somos os anjos
do destino

com a alma
pelo avesso
do útero

Voamos a lua
menstruadas

Os homens gritam:
– são as bruxas

As mulheres pensam:
– são os anjos

As crianças dizem:
– são as fadas

Fadas?

filigrama cintilante
de asas volteando
no fundo da vagina

Nadamos?

De costas,
no espaço deste século

Mudar o rumo
e as pernas mais
ao fundo

portas por trás
dobradas pelos rins

Abrindo o ar
com o corpo num só golpe

Soltas,
viando
até chegar ao fim

Dizem-nos:
que nos limitemos ao espaço

Mas nós voamos
também
debaixo de água

Nós somos os anjos
deste tempo

Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...

Temos um pacto
com aquilo que
voa

– as aves
da poesia

– os anjos
do sexo

– o orgasmo
dos sonhos

Não há nada
que a nossa voz não abra

Nós somos as bruxas da palavra

Maria Teresa Horta


Os Domingos com poesia fazem crescer asas...
Bárbara

9.6.07

Devaneios IV


Hoje, beijo-me mais uma vez.
Foto: Helmut Newton

8.6.07

O sonho celta de Hugo Pratt

Os mitos são eternos na medida em que são imanentes. A sua força vem-lhes do facto de poderem sempre, a qualquer momento, em todas as circunstâncias, incarnar na linguagem e constituir o quadro coerente de uma nova narrativa. Esta narrativa, tal como é apresentada, integra dados pontuais, preocupações contemporâneas de elementos antiquíssimos: constitui a actualização do mito, a sua valorização num determinado contexto, a sua abertura ao mundo real da compreensão. Ora, na nossa época, que narrativa pode dar melhor testemunho da permanência do mito do que a Banda Desenhada, expressão contemporânea, técnica popular plena da aliança da linguagem literária com as artes gráficas, e sobretudo meio ideal para a difusão do imaginário?

É neste espírito que se deve examinar a obra de um autor tão inspirado como Hugo Pratt. O seu interesse pelo mito manifesta-se desde o início da carreira. E o próprio personagem de Corto Maltese é a incarnação de uma figura mitológica, deus ou herói, de qualquer modo homem de todas as épocas e de parte nenhuma, perpétua errante num mundo em mutação, sobre cujas angústias e fantasmas ele reflecte. Com efeito, em última análise, Corto Maltese é mais uma testemunha impassível do que um actor dos dramas em que se vê envolvido. Se possui essa espécie de aura que marca os homens votados a destino excepcional, é porque o autor quis que ele fosse simultaneamente deus e homem. Como homem, está sujeito á lei comum do sofrimento, do desespero, da aventura, mas como deus desenreda o complexo emaranhado dos acontecimentos. E ele não é mortal a não ser na medida em que pode escolher a data e a hora a da sua morte, o que faz dele um ser excepcional.



Hugo Pratt, Corto Maltese As Célticas, Prefácio de Jean Markale


Imagem: O meu Herói...

22.5.07

Imperiosa Fuga

Imagem: Roy Lichtenstein Pistol, 1968


Esta pistola obriga-me por uns tempos (não muito) a deixar o prazer de vos visitar e escrever aqui.

Abraço
Bárbara

15.5.07

Misread




Kings of Convenience

8.5.07

ficar (canção de embalar)



Ah se eu pudesse não partir

Eu ficava aqui, contigo

Se eu pudesse não querer descobrir...


Ah se eu pudesse não escolher,

Eu juro, era este o meu abrigo

Se eu pudesse não saber

que há mais...


Mas como pode a lua não querer o céu?

Como pode o mar não querer o chão?

Como pode a vontade acalmar o desejo?

Como posso eu ficar?


Letra: Margarida Pinto (Apontamento) O álbum dos sonhos...
Imagem:Filme, Un Long Dimanche de Fiançailles, Jean-Pierre Jeunet

30.4.07

Bjork-Volta (2007)


01 - Earth Intruders
02 - Wanderlust
03 - The Dull Flame of Desire
04 - Innocence
05 - I See Who You Are
06 - Vertabrae By Vertabrae
07 - Pneumonia
08 - Hope
09 - Declare Independence
10 - My Juvenile
11 - Earth Intruders (Mark Stent Extended Mix)
12 - Innocence (Mark Stent Mix)
13 - I See Who You Are (Mark Bell Mix)
Lançamento: primeira semana de Maio
Bárbara

29.4.07

Embaraços

Sapatos Brancos: -Mas porque razão estamos debaixo de um guarda-chuva a ler um livro?
Sapatos Pretos:-Porque todos os livros têm um destino...

Bárbara

Foto: Cartier-Bresson

28.4.07

Mesa de Cabeceira III

Não vou descrevê-la em pormenor, mas a verdade é que, quando me vi ao espelho da casa de banho ( se bem se lembram, acabara de atirar pelo ar o do quarto), tive a impressão de que, se não me refreasse, ainda acabaria por passar um mau bocado. Apaixonei-me por mim-assim mesmo, meninos, haviam de ver aquela garota que olhava para mim pelos meus olhos...por toda a parte onde havia que olhar-anca, peito- (que valia a pena , porque a minha mãe não compra fancaria) -e uma maneira de me mexer que era de pôr doidos todos os duros de Bowery. (...)

"Elas não percebem nada", Boris Vian sob o pseudónimo de Vernon Sullivan

A ausência do Jazz de Vian simplifica a intensidade daquilo que seria excessivo para um leitura como esta.
Bárbara

27.4.07

26.4.07

Monotone


Antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa

o dia anterior

Para debaixo da cama.

Guardas o coração ainda adormecido bem dentro do teu corpo


E esqueces essa canção que já não passa na rádio

Mas que vive secretamente dentro de ti.

Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.


Os teus passos na escada fria soam ligeiros e apagam-se,

Perde-se o rasto, easy listening,

Guardas tudo para ti como um ex-dj...

Assim partes, quase a correr.


Parada junto à passadeira, protegida num gesto ledo

Fixas o olhar na sombra dos carros que passam.

Esperas pelo sábado,

Pelo feriado e as suas pontes,

Pelas férias para ouvires as tuas canções.

Sentes-te longe, silenciosa de luz.

Desato torturas e afrouxo o meu coração com Naifa.

Bárbara





17.4.07

No teu ombro íntimo


Condenso a minha indefinição no teu ombro íntimo que se defronta com as juras e as fragilidades que vão para lá do amor.
Em ti, as amantes carícias perfumam adolescentemente as repentinas sensações, estas que se apegam aos meus desejos, outrora mais transparentes e macios como a minha saia de cetim.
O dia vai crescendo naquele florir que tento inventar e a noite surge apaixonadamente mais solitária deixando-se cair em pormenores relevantes. São estas noites que encolhem a nossa antologia menos deslumbrada que inocentemente desorganizei e que diluí a volúpia das nossas esperanças.

As esperanças erram o futuro que se fixa para nós tão longe, tão longe que os sonhos perdem-se nesta viagem que roça as palavras passadas. São estas palavras que te envio, essas que por nunca mais terem sido ditas desapareceram no acaso dos teus lábios.
Abrigámos histórias que não cicatrizaram em nós e que teimam em vibrar com força mas sem sentido... quero regressar a ti naqueles dias transparentes que cintilam aquilo que verdadeiramente somos.

Imagem: A das noites em que me deixo ser raptada por ti.
Bárbara

A arte de saber lutar


Que canseira esta coisa da vida...sempre o mesmo corre-corre para ela não nos fugir!!!

Bárbara

SAÍDA MICOLÓGICA

A Serra da Cabreira, é uma elevação com 1286 metros de altitude situada no Baixo Minho, e que se entrelaça com o Gerês. É detentora de uma beleza única agrupando seis unidades de paisagem: bosque de coníferas, bosque de folhosas, matos, bosque ripícola, prados de montanha e campos agrícolas.
Nesta saída de campo percorreremos, subindo de Turio para a Serradela, uma zona de bosque de ripicola onde dominam o amieiro, o salgueiro, bétula e surge ocasionalmente freixo, podendo também surgir o carvalho comum quando as linhas de água percorrem zonas de carvalhal; uma zona de bosque de folhosas com carvalho comum, castanheiro, e por fim uma zona de resinosas com pinheiro bravo, pinheiro silvestre, cedro branco, laricio europeu, cipreste da Califórnia e abeto do Norte. Com esta saída de campo pretendemos contribuir para a inventariação de espécies de macrofungos associadas à diversidade florística da Serra da Cabreira.
Programa:
Dia 28 de Abril, Sábado
09:00h: Recepção dos participantes junto à Câmara Municipal de Vieira do Minho
09:30h: Breve descrição do percurso e enquadramento da actividade micológica
10:00: 1º Percurso : Turio
12:30: Almoço tipo piquenique *
14:00: 2º Percurso: Serradela
17:00: Identificação do material recolhido
19h00: Encerramento da actividade com degustação de cogumelos.


* Da responsabilidade dos participantes.

Notas:
- As deslocações aos locais das saídas de campo serão feitas em viatura própria.
- Existe a possibilidade de alojamento gratuito nas casas da Serradela. Por favor, contacte-nos o mais cedo possível pois o número de camas é limitado.
Preços:
Actividade gratuita para sócios. O preço de participação é de 10 € para não sócios e inclui:
-Material de apoio à identificação do material recolhido;
-Degustação “micológica”.

As inscrições serão aceites por ordem de chegada e deverão ser enviadas até dia 25 de Abril para:
Elisabete Martins da Costa
Quinta de Sernades
Este São Mamede
4710-815 Braga

Tlmv: 962963669 / 912551352 ou email marifusa@gmail.com
Marifusa

15.4.07

O Espírito

Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia


Os Domingos com poesia inclinam os afectos para o lado dos sonhos...
Bàrbara

12.4.07

Cry Me a River


Now you say you're lonely
You cry the whole night through
Well, you can cry me a river, cry me a river
I cried a river over you

Now you say you're sorry
For bein' so untrue
Well, you can cry me a river, cry me a river
I cried a river over you

You drove me, nearly drove me out of my head
While you never shed a tear
Remember, I remember all that you said
Told me love was too plebeian
Told me you were through with me and
Now you say you love me
Well, just to prove you do
Come on and cry me a river, cry me a river
I cried a river over you

I cried a river over you
I cried a river over you
I cried a river over you




Bárbara cries with Julie London.

23.3.07

Je t´aime...moi non plus



Serge Gainsbourg and Jane Birkin

Fingi que dormia enquanto as palavras me acariciaram para depois me engolirem acompanhadas pelas batidas do coração...

Bárbara

22.3.07

Gula!!!!

Saboreei a minha própria pele e inudei-me por apetites dispersos que se abrigam nos recantos do meu sorriso.

Bárbara


20.3.07

Devaneios III

Hoje, e nestes dias que têm passado ando às voltas no meu carrossel.
Não o consigo parar!!!


Bárbara

8.3.07

Young Folks



Peter, Bjorn and John

Bárbara

Pepas obrigado pela sugestão!!!

3.3.07

Perpétua embriaguez

São nuas as gargalhadas silenciosas que nos agasalham em noites chuvosas onde se arranham as fantasias que lemos nos livros e vemos nos filmes. Somos trancados pelo gin e os cigarros nocturnos e apertados por uma qualquer banda sonora que risca o passado e teme o futuro.
Empolgamos beijos e desfiamos o eterno abandono que não sentimos mais. Congelamos o relógio que dura o tempo que quisermos e sacudimos a vida em infindáveis festejos naquela liberdade infantil que brinca connosco e nos compila numa caixinha de jogos de criança.
- Meu querido, somos de difícil disfarce.

Bárbara

Imagem: Anthony Quinn and Anna Karina fool around on The Magus, http://www.bloomsburyusa.com (Asseguro-vos que quando for grande vou ser como a Anna Karina!!)


1.3.07

Consciência Ecológica, já!!!

Inicia-se hoje o Ano Polar Internacional (API) e a maior colaboração científica internacional dos últimos 50 anos onde os efeitos do Aquecimento Global serão a questão central.

1-3-07
in Público

OBRIGATÓRIO PENSAR NISTO DE FORMA MAIS RESPONSÁVEL!



28.2.07

Maybe Not



Cat Power

Bárbara

25.2.07

Deixa Cair O Inverno

Quero sair do Inverno
e entrar no verão.
Como acontece contigo quando tiras o roupão
e o amor se mostra igual tanto aqui como no Japão.
Anda daí explico tudo ao serão
não me custa nada...até faço questão!

Das certezas e das incertezas
que se ocupam de mim,
tu és o único a deixar me dormir.
Já não tenho lata para pedir ao santo a cura da insónia
que me feche o olho sem sentir e me leia uma historia sem eu lhe pedir.
Importa não abrir ainda o dia de amanhã
amordaçar a noite
fazer soar o teu divã.

Lanço a minha seta e tu não a vês
nas nuvens da infusão
lês os meus porquês
na mais profunda escuridão
dissipam-se os porquês.

Mesa
(Acolho o Inverno no meu quarto e faço da sua frieza a minha frescura!)

Bárbara

Transtornar a Cidade

Fotografia: Bárbara, Coimbra 2/o7

23.2.07

O Ponto Indivisível

A arte é uma representação nesse sentido de imitação. Que é este, parece o primeiro sinal de inteligência humana. A imitação é a mãe surpresa, e esta, a do riso. O trabalho surge como uma necessidade exterior porque a fome é um imperativo, e a arte aparece como uma necessidade interior, quer ligada ao sexo e aos fundamentos dessa actividade, e deste modo à sua componente erótica , traduzível também no misticismo, na assunção dos tabus, na castração.
A outra questão que se pode pôr é a de saber se o homem mudou estruturalmente com o meio, isto é com a tecnologia.
Sem ele permanece ou não o mesmo de um ponto de vista espiritual. Diz-se com frequência em relação às atrocidades comtemporâneas, que sempre houve, só que não eram tão divulgadas.
A continuação desta pergunta seria a de tentar saber se a crueldade é, não apenas natural, como humanamente inextinguível. Se é parte intrínseca da natureza do homem.(...)
Se a electrónica, a informática e as comunicações modificaram o meio, poderão influenciar o comportamento humano, mas não alteraram a sua natureza. Tudo parece indicar que o homem continuará a sentir as suas pulsões mortíferas, a sua estuância libidinal e o mesmo prazer em acalmar a fome. Terá igualmente necessidade de se representar a si e à vida ou ao mundo que o cerca. E essa representação, que não é filha duma necessidade exterior, como a de se tapar quando tem frio, mas interior PORQUE A VIDA NÃO LHE CHEGA, PORQUE ESTÁ CONDENADO À MORTE, TEM CONSCIÊNCIA DISSO- o facto de a imortalidade nunca ter sido confirmada continua a não convencer toda a gente- essa representação parece afinal ter como motor o desejo de repetir a vida. (...)
Jorge Guimarães, O Ponto Indivisível
Contra aquele arrebatamento que se vai acumulando em nós apresso-me e demoro-me muitas vezes neste compêndio. Represento-me muitas vezes na música que gosto, nos filmes que amo e nas palavras, aquelas que me obrigam tantas vezes a olhar para dentro de mim, aquelas que me redesenham em temporalidades que não sei definir. As reticências contam-me assim, às vezes demasiadamente.
O meu manual interior é muitas vezes espreitado por vocês, e com vocês conserto-me e desorganizo-me, divirto-me e refugio-me. Aqui as imagens válidas são as palavras que muitos vão deixando, palavras sem rosto, sem idade, são as imagens que se acumulam verdadeiramente dentro de mim. Elas remetem-me para a ideia contínua de que as interpretações a que quem escreve está sujeito, é feito de reinterpretações igualmente valiosas, permutas emotivas que permanecem sempre comigo, um ponto indivisível.

Bárbara

22.2.07

CocoRosie

Il fut un temps où rien n'était éteint
Où seul l'or de mon coeur donnait l'heure
Et alors j'étais fort, mais j'ai perdu la fleur et l'innocence
Dans ce décor je me sens perdu, rien n'a plus de sens
Mais j'ai encore quelques rêves et si tant est que j'aie le temps
J'irai caresser leurs lèvres
J'ai encore quelques rêves
Et si tant est que j'aie le temps j'irai caresser leurs lèvres
Il fut un temps où rien n'était éteint
Où seul l'or de mon coeur donnait l'heure
Et alors j'étais fort, mais j'ai perdu la fleur et l'innocence
Dans ce décor je me sens perdu, car rien n'a plus de sens

Si le temps avance trop
Je me sens de taille (Il nous entaille ?)

Je suis un enfant
Je refuse le temps

Je regarde le ciel et cet arc-en-ciel qui m'apaise
Je regarde la lumière et puis j'erre dans mes rêves

Oublier le temps
Rester un enfant


14 de Abril de 2007 /Aula Magna( Estas irmãs são mesmo especiais!!)

Bárbara

20.2.07

Carnival Day/ Be my Angel




Fotografia: Benny Gomes, Carnival Day-República dos Inkas, 2007

13.2.07

Fugi com a Sílvia


O meu coração também parou, vou Fugir para me perder e depois me reencontrar.
Este blog ficará no esquecimento....por uns dias.
Bárbara

12.2.07

Sedução Desalinhada

Imagem: Pulp Fiction, Não sabes, mas estamos os dois nesta cópia.

Bárbara

Totalmente Lomografada



O meu novo mundo em construção!


Fotografia: Iria Cunha (Lomo Addicted), Electric Lomo Guitar, 2003


Bárbara e Iria

11.2.07

Hopeless


Imagem: Roy Lichtenstein
Bárbara

Ensaios


Ensaiámos às escuras este desencontro que sabotou os passos que queriamos dar.



[Enganei-me mais uma vez, mas sem os meus sapatos não consigo dançar. Não, não tens de voltar a repetir, eu organizo os movimentos, deixa-me pousar os pés no chão.]



Bárbara
Imagem: http://i3.photobucket.com/albums/y72/monilisa/17c52e2a.jpg saltos detango

10.2.07

As horas vão altas numa praia qualquer

As horas vão altas, tentas largar aquele riso indecente que te provoca e te persegue numa praia qualquer onde chovem águas que te deslocam para uma tentação provocantemente intensa.
Sabes que chegará a hora marcada, aquela que é convidativa e que produz romances, sabes que ficarás a ler os teus pensamentos, aqueles que são corajosos e te trazem o incógnito.
Crias as lembranças onde te despedes e rasgas a noite, já muito de noite, numa praia qualquer.
Não as guardas porque nunca existiram e não as perdes porque adormecem contigo.
Bárbara

9.2.07

Lloyd I'm Ready To Be Heartbroken




Camera Obscura

Morning Start


Escapas sempre ao estilo convencional e ficas siderado numa estranheza só tua sem cessar. Gostas das manhãs e da intensidade do teu chá(chá verde, grãos de guaraná, gengibre, limão, pimenta preta, música q.b, e paixão a seu gosto, cuidado: explosivo e abrasivo)...aquele que tu assinaste como parte dos nossos códigos.
Bárbara
Imagem: http://www.artesempartes.com, Rota do Chá

4.2.07

Devaneios II

Hoje estou farta de pessoas....

:( Bárbara

Nouvelle Vague

Fotografia: Anna Karine on the set of Vivre Sa Vie

Bater a claquete para no fim elogiar os autores, realizadores, verdadeiros criadores desta arte.

Bárbara

29.1.07

Esconderijo IV

... aquela certeza que não é verdadeira e a enrosca numa paz fingida / a fantasia que tropeça nas suas dúvidas e teme os sonhos que se penduram nela / aquela recordação que não envelhece e a sacode como dois apaixonados acordes musicais / a incerteza sôfrega que a cerca com interrogações e a enovela numa libertação fechada / aquela mania que lhe escorre dos braços e a separa da limpidez das suas lágrimas...
Bárbara

27.1.07

Embaraços



Enlaçámo-nos naquele valsar audaz...que me fez corar.

Bárbara
Fotografia: Ilse Bing

Inocentemente...



Ouvir filmes de olhos fechados...os de sempre...
Bárbara

20.1.07

I'll Be Your Mirror


I´ll be your mirror
Reflect what you are in case you don´t know
I´ll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you are home

When you think the night has seen your mind
That inside you´re twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hand
´Cause I see you

I think it´s hard you don´t know
The beauty you are
But if you don´t, let me be your eye
A hand in the darkness, so you wont be afraid

When you think the night has seen your mind
That inside you´re twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hand
´Cause I see youI´ll be your mirror

Velvet Underground

Fotografia: Ilse Bing

Correntes d´ Escritas

O arranque oficial do programa das Correntes d`Escritas realiza-se no dia 7 de Fevereiro e termina a 10 de Fevereiro na Póvoa de Varzim.
Vou ser levada por aquelas que são as melhores correntes, um importante encontro que celebra as artes e a literatura.
Uma sugestão!

Bárbara

12.1.07

Satisfaction




Bjork, P.J Harvey


Bárbara

11.1.07

Devaneios

Hoje cheiras a charme...
Bárbara

10.1.07

Endless Summer


Larga tudo e vamos fazer deste dia o nosso Endless Summer.
Deixa de lado essa tensão interior e ouve a música que te acorda.
Larga o mergulho desses pensamentos que não te deixam viver.
Deixa as recordações que te adormecem e inventa a felicidade.
Larga esse dia cinzento e transforma-o naquele Verão de amantes.
Deixa essa representação e revela-te para a vida.
Larga a tua rigidez e ultrapassa as ondas que te querem ganhar.
Deixa essas composições que já não dizem nada e agarra o nosso Endless Summer.

Bárbara

Imagem: Adoro estes postais!!!
... algures encontrada na web.

Introspecção





Desligo-me contra a minha vontade e abraço a intimidade que existe dentro de mim e que me mantém acordada...um estado de vígilia que se reflecte no mar e segue para não sei onde... um onde que não conheço mais.

Bárbara

Imagem: Edward Hopper

2.1.07

Fever

Never know how much I love you,
Never know how much I care.
When you put your arms around me,
I get a fever that's so hard to bear.

You give me fever,
When you kiss me,
Fever when you hold me tight.
Fever! In the morning,
Fever all through the night.

Sun lights up the daytime
And moon lights up the night..
I light up when you call my name
And you know I'm gonna treat you right

You give me fever When you kiss me, Fever when you hold metight.Fever! In the morning, and fever all through the night

Everybody's got the fever
That is something you all know
Fever isn't such a new thing
Fever started long ago

Romeo loved Juliette
Juliette she felt the same
When he put his arms around her he said,
"Julie, Baby , you're my flame

"Thou giveth fever
"When we kisseth"
"Fever when he holds me tight
"Fever! I'm his mistress, So
"Daddy, Won't you treat him right?"

Now you've listened to my story,
Here's the point that I have made:
Chicks were born to give you fever,
Be it Fahrenheit of Centigrade

They give you fever
When you kiss them
Fever if you live and learn
Fever ! till you sizzle
what a lovely way to burn
what a lovely way to burn
what a lovely way to burn
what a lovely way to burn

Bárbara is dancing with Peggy Lee

1.1.07

Incertezas de um novo ano


Brilhantina:- Acabaram-se os copos de vinho, os instrumentos calaram-se, as luzes apagaram-se.
Saltos altos:-Doiem-me os pés...
Brilhantina: Era isso que me querias dizer? Pensei....
Saltos altos: Deixa lá....tenho um ano inteiro para te dizer, agora... não sei bem...o que te queria dizer. Vamos para casa. Tou cansada.
Brilhantina: Sim, vamos...descansar o passado para improvisar o futuro.

Bárbara

31.12.06

Mesa de cabeceira II

Fotografia: Bárbara, Presente de Natal, 2006
"O que Sócrates diria a Woddy Allen" escrito por Juan Antonio Rivera obteve em Espanha o Premio Espasa Ensayo 2005, tendo sido um enorme êxito de livraria no país vizinho.
Foi um presente de Natal absolutamente extraordinário, não só porque desconhecia o livro, mas sobretudo porque foi uma verdadeira revelação a sua leitura. Obrigatória para quem gosta de cinema!
Não fiquem tristes aqueles que ao contrário de mim não são apreciadores de Woddy Allen, porque apesar do título, o livro refere muitos e variados filmes desde os clássicos como Casablanca(1942), de Michael Curtiz ou The Reckless Moment(1949), de Max Ophuls até aos mais recentes como The Matrix (1999), de Andy e Larry Wachowski.
Mais de que a escolha dos filmes aquilo que é supreendente é a forma tão lúdica e tão simples como são tratadas matérias da filosofia como o amor, a morte, a felicidade, a racionalidade, a maldade, a falta de vontade ou o acaso que se conjuga com a referência a inúmeros filósofos desde os clássicos aos contemporâneos.
Um livro de filosofia e de cinema que vem dar um novo fôlego à literatura sobre cinema que muitas vezes se não é cheia de termos técnicos e que ninguém domina, outras vezes é aborrecida e complicada.
Bárbara

18.12.06

17.12.06

" Começa como devia começar..."

A noite está quente como o inferno. Tudo se cola. É um quarto nojento numa parte nojenta de uma cidade nojenta.O ar condicionado é uma lata barulhenta que não dava para manter uma bebida fresca mesmo que lha pusesses em cima.
Estou a olhar para uma Deusa ela diz que me quer. Parece ser a sério. Não gasto nem mais um segundo a perguntar donde me caiu tanta sorte.
Metes-te numa luta, lutas numa guerra, e pensas que o pior de tudo vai valer a pena por um grande momento...mas esse momento por muito bom que seja nunca mais chega...mas isto...pergunto porquê uma última vez ..depois ela cai contra mim...a escorrer aquele suor de anjo dela...mulher perfeita. Deusa. Goldie.
Diz que se chama Goldie.
Frank Miller, Sin City, A cidade do pecado.
Bárbara

9.12.06

Ela canta, pobre ceifeira… (Fernando Pessoa)

Escutar, ao longe, uma mulher que, na sua lide quotidiana (no ardor cíclico do seu mundo), exprime em mezzo voce um cantar genuinamente popular, traz a mim a consciência dos tempos primordiais. Não falarei aqui das coisas primeiras que, como diria um poeta, seriam verdes ou azuis, com água pela cintura... (António Franco Alexandre) não pretendo tal imagem desbotada pela sólida imaginação de quem o pensou inicialmente e escreveu… procuro sim perceber de onde vem aquela melodia ancestral que preenche os tímpanos trazendo algo com que me identifico… procuro olvidar as razões de uma remota reminiscência genética que brota e eleva-se no meu pensamento como o vento que toca ao de leve na face e segue o seu caminho depois de subtilmente nos afectar os sentidos…Não quero saber porque canta…não sou suficientemente astuto para formular tais teses a que nem Pessoa, a meu ver, ambicionou realmente responder… Qual a razão para esse canto me provocar e me elevar até às líricas rodas ancestrais da vida? Tão cíclicas como a minha presente escrita, que ainda não fugiu a essa interrogação e repete-a sem cessar até à exaustão…
(…)
- Porque o poder do homem é desconhecido…
- Porque o poder da alma é majestoso…
(…)
Porque possuo dentro de mim um sentido de pertença que se activa facilmente com tudo o que se ergue e me traga um sabor culturalmente genuíno do contexto espacial natal… faz com que me aperceba que não sou verde ou azul, com água pela cintura, mas sim, como outros que vivem a meu lado, um reservatório pretérito de uma alma original que, num mito de movimentos giratórios (quase um verdadeiro samsara), penetrou no coração de uma colectividade e, com ela, permaneceu em rito sem sair desta realidade espiral do tempo.
Na amargura quotidiana desta vida, alguns desses reservatórios de água (que só cresce com a nossa atenção) perdem-se no tempo e se libertam finalmente das constantes reencarnações, não por ter atingido a perfeição de um Brahman, nem mesmo por ter expurgado os pecados do mundo ou ter atingido o seu futuro histórico. Afundam-se pela nossa falta de atenção para com as coisas primordiais, para o cuidado da nossa alma … do nosso bairrismo sadio.
Na ânsia presente deste mundo amorfo, procuro, com voraz insistência, ouvir os sons e seus jocosos remendos invocados nas cordas vocais da dita mulher e guardar essa alma dentro dos meus sentidos… só assim guardarei o pouco que resta das nossas coisas primeiras que, aos poucos, morrem neste desvario espelho de água que se parte, levando assim a pouca água de uma atenção ulterior. Emerge, como uma névoa solitária, o vazio de não saber onde jazem os nossos antepassados espirituais… as nossas coisas pequenas… a pertença da nossa alma… a alma da nossa pertença… a conjugação do nosso eu com a comunidade… o mais genuíno dos sentidos… o primordial…

Duarte Freitas, 11 de Maio de 2006

Elogia-se a amizade numa carta...
Imagem: Porque as palavras às vezes já são tão representativas que não existem imagens que as representem, meu amigo....preferi assim...

Bárbara e Duarte

7.12.06

Ambiências


Este blog hoje está acompanhado por Nina Simone e exala jasmim com óleo de amêndoas torradas.
Bárbara

6.12.06

Não me esqueci!


Estou suspensa pela pressa de chegar e prossigo viagem acompanhada pela decisão que tomei. Desajeitadamente encosto a cabeça ao vidro, pergunto-me: terei eu colocado no saco todos os pormenores que me lembram tantas vezes de como tratar o dia-a-dia. Parece que não me esqueci de nada!!! Passo a pente fino a minha memória e num descanso sem sentido fecho os olhos. Levei um certo tempo até adormecer acarinhada pela melancolia de uma música qualquer. Ups!!..esqueci-me, esqueci-me de não sonhar contigo mais uma vez.
Viajamos noutros lugares, alargando os horizontes das nossas diferenças despertadas pela crueza da luz. Recortas-me, e tentas me colar, entendes que o puzzle é complicado e afectas profundamente o meu lado marginal, aquele que é cheio de verdades violentas. Somos vigiados pelos prazeres que brincam amorosamente e que surgem com aquela leveza tão típica dos sonhos. Os beijos são apanhados desprevenidamente pelos lábios, e os sussurros adormecem nos teus ouvidos.
Acordo numa estação distraída...não me esqueci de sonhar contigo. Tenho medo que descubras. Desço o último degrau e despeço-me da carruagem que me embalou até ti.
Tu nunca te esqueces de esperar por mim. Vou contigo. Para onde me levas?
Bárbara
Imagem:Filme, Un Long Dimanche de Fiançailles, Jean-Pierre Jeunet

4.12.06

Mesa de cabeceira



Terceira Noite

Hoje, o dia esteve triste, chuvoso, sem luz, como a minha futura velhice. Fui assediado por estranhos pensamentos; sentimentos turvos, questões ainda obscuras para mim, comprimiam-se dentro do meu cérebro, sem que eu tivesse força ou vontade para as solucionar. Não, não seria eu quem poderia resolver tudo isso!
Hoje não nos veremos. Ontem, quando nos deixámos, as nuvens espalhavam-se no céu e o nevoeiro adensava-se. Disse que o dia seria mau; ela não me respondeu, pois não queria falar contra si própria: para ela, este dia é luminoso e claro e nenhuma nuvem poderá eclipsar a sua felicidade.
"Caso chova, não nos veremos", dissera ela, "não virei".
Pensei que ela não iria notar a chuva de hoje, mas no entanto, não veio.
Fédor Dostoievski, Noites Brancas
Bárbara

2.12.06

Pausa...



Deixa-se de lado o trabalho para ver e rever Annie Hall, a manta e as almofadas estão prontas!!Estreia-se no meu quarto com entrada gratuita e na companhia de Woody Allen uma viagem pelo universo das neuroses e do desconcertante.
Bem-Vindos!

1.12.06

17.11.06

Outros passos


Mostra-me as tuas habilidades
Conduz-me com a tua conversa
Recorda-me como chego até ti
Convida-me para dançar...
Bárbara

16.11.06

Inquietudes contemporâneas



Filme: Baraka, Ron Fricke, 1992

Os grandes temas humanos , os grandes problemas sociais, os principais desafios económicos culturais e ecológicos são a referência nesta obra que se traduz em incertezas e ameaças que não podemos, nunca, deixar de pensar.

Bárbara

"Esses clamores ao longe são -como distinguir?- um mundo a nascer ou a morte de porvir? Que todo o ser de carne tem sempre, afinal, um grito para a morte e para o parto igual."
Louis Aragon, " la nuit de juillet" in La diane française.

13.11.06

Helena de Tróia dança em cima do balcão

O mundo está cheio de mulheres
prontas a dizer-me que devia ter vergonha,
se eu as deixasse. Deixa de dançar.
Vê se aprendes a dar-te ao respeito
e um emprego.
Pois. E o ordenado mínimo,
e varizes, de estar de pé
no mesmo sítio oito horas seguidas
atrás de um balcão de vidro,
tapada até ao pescoço, em vez de
nua como uma sande de carne.
A vender luvas, ou qualquer coisa do género.
Em vez daquilo que, de facto, vendo.
Tem que se ter talento para impingir uma coisa tão nebulosa e sem forma.
Explorada, diriam elas. Sim senhora, não
tem que saber, mas posso escolher como e ficar com o dinheiro.

Eu sou valor acrescentado, a sério.
Tal como os pregadores, eu vendo visões,
como anúncios de perfume, desejo ou sucedâneo. Como com as anedotas
ou a guerra, o truque está em encontar a latura certa.
Aos homens vendo, com juros, as piores suspeitas:
que tudo está à venda,
e a retalho. Eles olham para mim e vêem
um assasinato com uma serra eléctrica prestes a acontecer,
quando coxa, rabo, tatuagem, rego, mama e mamilo
ainda estão juntos.
Olhem como eles se enchem de ódio,
os meus adoradores cheios de cerveja!Isso, ou então um remeloso
e desesperado amor. Vendo as filas de cabeças
e olhos revirados, suplicantes
mas prontos a morder-me as canelas, compreendo as cheias e os terramotos
e o desejo incontrolável de calcar formigas. Mantenho o ritmo,
e danço para eles porque eles não conseguem. A música cheira a raposas,
tesa como metal quente
a rasgar as narinas
ou húmida como Agosto, envolta em névoa e langorosa
como o dia seguinte numa cidade pilhada,
quando já trataram das violações, e da matança,
e os sobreviventes vagueiam,
vira-latas, à procura de comida
e só encontram frio cansaço.
A propósito, o sorriso,
O Sorriso é o mais cansativo.
Isso e fingir
Que não os ouço.
E não ouço porque, a final de contas,
sou estrangeira para eles.
A língua que aqui se fala é só guturais àsperas,
óbvias como lascas de presunto,
mas eu venho da terra dos deuses
onde os sentidos são oscilantes e oblíquos.
Eu não me abro com qualquer um, mas encosto-me e sussurro:
A minha mãe foi violada por um cisne sagrado.
Dá para acreditar? Se quiseres podes convidar-me para jantar.
È isto que eu digo a todos os maridos.
Há cada passarão perigoso por aqui.

Não que alguém por estas bandas
perceba, excepto tu.
Os outros haviam de gostar de olhar para mim
e não sentir nada. Reduzir-me a componentes
como numa fábrica de relógios ou num matadouro.
Esmagar o mistério.
Emparedar-me
no meu próprio corpo.
Haviam de gostar de me atravessar com o olhar,
mas nada é mais opaco
do que a transparência absoluta.
Vejam- os meus pés não tocam no mármore!
Como um sopro ou um balão, começa a subir.
Pairo no ar acerca de vinte centímetros,
Pensam que eu não sou uma deusa?
Desafiem-me.
Isto é um cântico tocha.
Toquem-me e ardem.

Margaret Atwood, Morning in the Burned House, 1995
Tradução de Maria Helena Dias Loureiro

Desço contigo a calçada da cidade que nos apresentou.
Hoje, naqueles dias, em lugares cheios e vazios, e nós,
cansadas da música, de estar de pé, esperamos algo,
o não acontecer.
O que pensar? Já não se bebe o chá, e os cigarros acabaram.
O tempo passa com uma tendência incorrigível,
a amizade celebra-se em naturais e elegantes conversas.

Bárbara
Para: Sandra Costa

11.11.06

Importância dos textos literários na explicação de fenómenos geográficos


A Literatura pode ser usada como importante ferramenta quanto a leccionação de elementos geográficos, ela não é possuidora de uma função meramente estética, ao contrário, ela acarreta consigo uma maior inciativa interpretativa que então depois pode ser usada na linguagem científica e na interpretação do território assim como nas demais variáveis que fazem parte dele Muitas vezes os geógrafos são acusados de desprezarem a literatura, fala-se de “ literatura geográfica” quase sempre com intuitos de maldizer, e deturpando muitas vezes a própria expressão também se terá falado de “geografia literária” mais ou menos com esse sentido.
A geografia procura também a análise da paisagem, com ela a sua interpretação dos traços fisionómicos da superfície terrestre, tendo por isso de considerar os elementos e factores que sobre ela fazem sentir os seus efeitos (GIRÃO, 1952: 105).
A importância dos textos literários na explicação de fenómenos geográficos, acentua-se pela capacidade de contemplação e enriquecimento da realidade buscada pelo geógrafo, uma vez que ela faz uso de recursos comuns como o ritmo, aliterações, personificações, metáforas e que nos aproxima muito mais das fotografias então retratadas. É como se o leitor sentisse que o que está ser dito fizesse parte dele, existe uma aproximação do espaço descrito pelo escritor e os nossos espaços interiores. Quantos de nós ao ler uma obra literária não sentiu esta experiência? No seguimento daquilo que está a ser dito, entende-se que: “O aspecto mais rico de uma obra literária para o estudo geográfico é o aspecto fenomenológico-existencialista do autor, que produz mundos e produz lugares, produz espaços e produz tempo. A maior riqueza não é a descrição, é a criação/revelação da relação homem-meio e os sentimentos e afectividades que se desenvolvem” (MATOS:1988).
Através de uma poética, como no caso particular de Guimarães Rosa e do conto Sanga Puytã, o autor conseguiu entender os limites do território e os diferentes contextos regionais através da linguagem diferenciada tão característica dos lugares que os separa. Estes diferentes contextos regionais estão normalmente muito presentes na literatura de fronteiras, estas assumem características diferentes entre si e análogas às fronteiras (objecto geográfico), que representam, esta qualificação é normalmente fornecida por personagens do texto que caracterizam as populações que habitam as mesmas.
Os aspectos culturais, festivos, amorosos e religiosos também são factores que destinguem os espaços e que salientam as diferenças regionais então tratadas, catadura muito tratada por escritores. Além destas condicionantes culturais e sociais, não podemos deixar de relevar os aspectos naturais( relevo, fauna, clima), que um texto literário acresce de informação ou ainda questões como o risco ambiental, a montanha, o espaço urbano, através das fontes escritas (BOIRA e RESQUES,1996:282).
A criação de mapas, de tratamento geográfico, não como metáforas, mas como ferramentas analíticas, trazem muitas vezes consigo à luz, relações que de outro modo ficariam ocultas(MORRETI, 2003: 3), averiguações tão úteis para a geografia. Os discursos e as cartas são duas formas essenciais da geografia, na verdade é quase impossível comunicar de forma tão explícita através da escrita aquilo que uma carta pode conter, por isso o uso destas como forma de clarificar aquilo que a literatura tantas vezes integra, adivinha-se como algo de grandes potencialidades.
Por conseguinte, não podemos deixar de focar que a Literatura em momento algum pretendeu ser objectiva ou globalizante no tratamento de qualquer problema. Aliás sobre isto, é importante referir que quanto ao conhecimento de elementos geográficos através destes textos literários, não se pretende de todo uma substituição da análise científica pela criação artística, mas apenas retirar dela novos aspectos de interpretação (CHOUPINA, 2005:25).
Estas fontes literárias de carácter não científico, ampliam a sua importância, uma vez que servem também para conhecer o conhecimento geográfico difundido entre aqueles que não possuem formação nesta área (BOIRA e RESQUES, 1996: 282), mas que de alguma forma a tentam retractar através dos seus escritos.
Os textos literários, romances históricos por exemplo, podem desfrutar de inúmeras informações sobre os espaços no passado, onde existe um grande conjunto de estudos publicados. A literatura entre muitas possibilidades que possui tem em si a facilidade de reconstruir as paisagens do passado não menos importantes para o conhecimento geográfico, atendendo à evolução das mesmas e à importância do tempo que já foi para o tempo que é. CHOUPINA (2005:16), refere que a Literatura muitas vezes pode ser a principal fonte ou mesmo a única que o geógrafo possui. Quando uma observação ou uma investigação oral do mundo já não é possível, ou tal como ainda o autor refere, o inquérito no local ou as informações escassas ou nada fiáveis não podem ser sujeitas a uma utilização, o texto literário funciona como um testemunho, onde assume o valor de documento. Desta maneira quando em contacto com textos literários que fazem verdadeiras reconstruções de uma paisagem regional, urbana, agrícola que já desapareceu à muito tempo estamos a entrar naquilo que se designa pela Geografia Histórica. A literatura adapta assim o valor de um documento histórico onde se pode conhecer o espaço do passado (BOIRA e RESQUES 1996: 280). Muita da investigação feita com base em obras literárias tem sido no domínio da Geografia Histórica, destaca-se o trabalho de JÚLIA GALEGO E SUZANNE DAVEAU(1986), JOÃO GARCIA(1986) e (CRAVIDÃO, 1992).
Neste plano de actuação entendemos que a literatura constitui uma área de investigação de grande qualidade, uma visão reveladora de um lugar, de um espaço. Um romance situa muitas vezes um grupo, um herói, família, categoria social no seu meio regional(FRÉMONT, 1980: 97,98), que esboçam um ou outro arranjo de caminhos interpretativos em relação a um texto, a uma ideia crítica ou mesmo um poema.
Entende-se assim que as criações ficcionais podem servir como fonte para a descrição e compreensão geográfica.

Bibliografia:
BOIRA Marques, J., RESQUES, Velasco, P.(1996) “ Las fuentes Literarias documentales en geografia” in Morteno Jiménez e Marron Gaite (ed), Ensenãr Geografia. De la Teoria a La prática, editorial Sintesis, Madrid
CHOUPINA, A. (2005): O Lugar do meio: uma leitura geográfica da obra de Miguel Torga, Instituto de Estudos Geográficos, Coimbra
FRÉMONT, A(1980): A região, espaço vivido, Livraria Almedina, Coimbra
GIRÃO, A (1952): Geografia e Literatura”, Boletim do Centro de Estudos Geográficos, nº4 e 5
MATOS, CAMPOS, A.(1988): Dicionário de Eça de Queirós, Lisboa
MORRETI, FRANCO(2003): Atlas do romance Europeu 1800- 1900, Boitempo, São Paulo
Sites consultados:

Imagem: Encontrada na web.
Bárbara

4.11.06

Segredos ao ouvido

Bárbara

Indefinição positiva



Fotografia: Alexander Rodchenko, Girl with "Leica", 1934

Um cerco onde os sonhos pegam ao colo febres imprecisas que a companhia de um vinho contraria e descompromete aquilo que às vezes parece demasiado..

Bárbara

27.10.06

Shirin Neshat


Uma mulher.A concretização da arte, a luta pelos direitos de quem a faz. A intervenção e a causa. As culturas divergem, contudo as angustias,os desafios, os medos e as esperanças convergem. No esclarecimento, na cultura e na intelectualidade que possuí esta mulher politicamente activa, ergue voz para aquilo que penso ser imperioso fazer.
A metáfora dos rituais culturais como as pinturas de henna, a arma como forma de repressão e poder em prol de sociedades cada vez mais injustas. As mensagens e poemas na construção daquilo que é preciso alterar!

Para ela.
Bárbara

Mito do eterno retorno



Existem temporadas da nossa existência que vivemos com tanta intensidade que recorremos frequentemente a elas. Mesmo quando já foram à muito, muito tempo...

Bárbara

Esconderijo III

... acudidos pela vontade de penetrarem nos segredos um do outro tentaram prolongar até ao infinito o encontro. Ignoraram as obrigações a que estavam habituados e não deram conta do movimento que os rodeava, falavam a meia voz, atemorizados pela surpresa de alguma coisa que os fizesse enfraquecer.
(...)
Não conseguia tirar os olhos dos seus lábios perfeitos e sempre molhados, dos seus olhos juvenis, dos seus ombros descobertos acariciados pelos cabelos movimentados. Sentia-se quase a desmaiar de sedução.
(...)
Numa calma que não lhe é comum, levou-o para casa e distraidamente entraram na vida um do outro. Perseguiram-se pela casa e inventaram fantasias cheias de voluptuosidade. Ele fazia-a rir. Percorreram-se ternamente e caíram abraçados…estavam muitos juntos.
Embrulhados na nudez despertaram tarde na manhã seguinte, mas sem a liberdade que tinham inventado.
(...)
-Se quiseres fico à tua espera.
-Não é preciso, eu fico.
Bárbara

24.10.06

LATITUDE 60!

No contexto das alterações climáticas e ambientais assim como no que concerne à problemática do aquecimento global as regiões polares são de extrema importância no que confere às trocas de calor ao nível dos oceanos e da atmosfera que regulam o clima do nosso planeta.
Conscientes da relevante pertinência que possuem estas questões muitas são as organizações governamentais e não governamentais que apoiam o Ano Polar Internacional (API).
Em 2004 um grupo de investigadores das mais diveras àreas científicas juntou-se para promover uma série de inicitaivas para o API que decorre em 2007-08.
Dentro dos seus amplos objectivos e acções salienta-se uma delas pela ideia que possuí em si de divulgação, esclarecimento e consciência que penso ser muito importante: LATITUDE 60! Este projecto é dirigido a todos os professores de todos os níveis de ensino (pré-escolar, básico, secundário e superior) e pretende sobretudo uma nova tomada de consciência em relação a estas regiões dentro de uma base científica.
A organização é feita pela Associação de Professores de Geografia. o Centro de Ciências do Mar, Universidade do Algarve, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa.
O blog acima referido funciona como uma espécie de Literatura de Viagens que conta as experiências que o geográfo e autor do mesmo vai tendo. Passem por lá se puderem, está mesmo interessante.
Bárbara

20.10.06

Avarias da Alma


Passeio pelos recantos que me acompanharam durante muito tempo e entrego-me às saudades que me avariam a alma. Não me conserto porque gosto delas.
Empresto-me às gargalhadas dos bons momentos e entrego-me sem hesitações à alegria que estas recordações me trazem.
Arrepio-me e gosto, não descanso e não me direcciono porque assim conservo a inconstância daquele que é, o meu mais louco espaço-vivido.

Bárbara


Foto: Bárbara, República dos Inkas, 2006
As festas estão na alma não na presença física. ;)
Post publicado pela primeira vez em Outubro de 2006.

10.10.06

Wong Kar-Wai

Combino muitas vezes encontros com Wong Kar-Wai de forma quase insistente. Não consigo libertar-me dos seus jogos mentais, dos seus heróis e da feminilidade da sua câmara. A visualização é exigente e erótica acompanhada por bandas sonoras surpreendentes e inesquecíveis que nos levam para um tempo e um espaço que nunca queremos abandonar.
Olha-se assim para este tributo com a saudade de mais um encontro.





Bárbara

8.10.06

Os Domingos são assim




Penso na despedida como um encontro simples e claro.

Bárbara

Coisas minhas
















Still in Love

Today I passed you on the street
And my heart fell at your feet
I can't help it if
I'm still in love with you
Someone else stood by your side
She looked so satisfied
I can't help it
I'm still in love with you
A picture from the past came slowly stealin
As I brushed your arm and walked so close to you
Then suddenly I got that old-time feelin'
I can't help it
I am still in love with you
It hurts to know another's lips will kiss you
And hold you just the way
I used to doOh heaven only knows how much
I miss youI can't help it
I'm still in love with you

Cat Power

5.10.06

O sono que não vem

Deixo-me conquistar pelo sono que não vem em improvisos que são o cenário dos caprichos que não me deixam adormecer. Os meus desatinos dão trambolhões sobre a madrugada desajeitada que se faz longa.
Colecciono as pinturas que trafiquei com os meus sonhos no acanhamento habitual que me irrita. Nunca tive jeito para pintar!
No ar soltam-se palavras bonitas que caiem nos meus ombros e que se espalham desordenadamente na margem dos meus desabafos...oiço-os silenciosamente e espreguiço-me sobre o tempo perdido à espera do amanhã.
Bárbara

1.10.06

Con Toda Palabra


Con toda palabra
Con toda sonrisa
Con toda mirada
Con toda caricia


Me acerco al agua
Bebiendo tu beso
La luz de tu cara
La luz de tu cuerpo

Es ruego el quererte
Es canto de mudo
Mirada de ciego
Secreto desnudo

Me entrego a tus brazos
Con miedo y con calma
Y un ruego en la boca
Y un ruego en el alma

Con toda palabra
Con toda sonrisa
Con toda mirada
Con toda caricia

Me acerco al fuego
Que todo lo quema
La luz de tu cara
La luz de tu cuerpo

Es ruego el quererte
Es canto de mudo
Mirada de ciego
Secreto desnudo

Me entrego a tus brazos
Con miedo y con calma
Y un ruego en la boca
Y un ruego en el alma

Lhasa de Sela, The living Road(2004)

La Dolce Vita




Olho as sombras que emolduram apetecíveis e sinuosos riscos...
Atrevo-me a fechar à chave numa precisão sentimental que nunca tenho, aquilo que mais me apetece. Arrumo-me em quedas com sabor a terra, renovo-me em barulhos que faço por tudo e por nada, conto-me em esperas estanques que me pedem para te escrever uma carta.
Acelerada a angústia distingo-me em mosaicos simples que fazem a fotografia daquilo que sinto através de compassos que construí para mim mesma. Ajoelho-me frequentemente sobre eles como se de um ritual interpretativo se tratasse para me conhecer, não me deixo ir porque o reconhecimento de mim torna-se difícil e ancoro-me numa cobardia constrangedora.
Sigo os meus dias naquela correria que me adormece despertada por incertezas de que gosto e contra uma melancolia que me afasta dos depósitos do meu jeito. Discuto o assunto comigo e rodopio já tonta em contrariedades que me fazem feliz. Liberto anseios exóticos que agora se deslocam do meu corpo e esgoto os mistérios que se estranham em mim.


Como te chamas??? Posso-te roubar emoções??? Juro que depois as te devolverei num afago de La Dolce Vita.
Se me deixares, volto a escrever-te...

Bárbara